Pandemia

Números da Covid-19 assustam a região

Municípios da Zona Sul adotam medidas ainda mais restritivas para tentar conter o avanço do vírus

Os números assustam. Perto a completar um ano do primeiro caso de Covid-19 na região, os 22 municípios da Zona Sul do Estado ultrapassaram a marca de 51 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus e já contabiliza 897 vítimas fatais. Com números cada vez mais altos, as prefeituras buscam estratégias para frear a proliferação do vírus.

Municípios vizinhos, Jaguarão e Arroio Grande adotaram medidas ainda mais severas para tentar conter o avanço da doença. Em Jaguarão, o prefeito Favio Telis publicou ontem um novo decreto restringindo a circulação de pessoas em locais públicos, como praças, parques e o cais do Porto. Serviços não essenciais realizados pela prefeitura municipal também estão suspensos. As medidas começaram a valer às 20h de desta quinta-feira e vão até as 5h da próxima segunda-feira (15).

Com o município aparecendo como recordista de aumento percentual nos últimos sete dias com 26,24% de novos casos, o Telis acredita que a preocupação da comunidade com a proliferação do vírus tem levado as pessoas a procurar laboratórios privados para realizar testes Covid. "Observamos muitos testes em laboratórios privados, então a comunidade em si está muito preocupada e tem feito mais testes por conta. O número maior de infectados vai acabar acontecendo em todos os municípios, seja a curva um pouco mais espichada ou mais aguda", explica. 

Com situação também preocupante, Arroio Grande foi um pouco além e decidiu decretar lockdown. O fechamento total das atividades não essenciais será a partir das 20h de sexta-feira (12) e vai se estender até as 6h da próxima terça-feira (16). "Tivemos um pico de 35 casos em um único dia e isso está se mantendo. Ainda tivemos três mortes em pouco mais de 24 horas, o que para uma cidade do tamanho de Arroio Grande é um número bem considerável. A partir de amanhã até 21 vamos trabalhar em horário e número de pessoas reduzidos, fechamento de atividades não essenciais permanece", diz a subsecretária de Saúde do município, Bibiana Lisboa.

Municípios sem óbitos
Entre os 22 municípios da Zona Sul, apenas dois ainda não registraram óbitos em decorrência do novo coronavírus: Chuí e Pedras Altas. Mesmo assim, o poder público das duas cidades ligou o sinal de alerta para o aumento de casos na região. Com apenas 35 casos, Pedras Altas se mantém como local com o menor número de infectados, mas o aumento de casos nos últimos sete dias corresponde a 16,67%. Dentre os cinco casos apontados no período, dois foram dentro da prefeitura, o que obrigou o poder público a restringir ainda mais a circulação de pessoas. "Nas últimas duas semanas avançou bastante no município, demos um pulo significativo, com seis a oito casos ativos. Mas sem internações, todos os cuidados estão sendo feitos em casa. Mas estamos vendo esse avanço com uma grande preocupação, por isso estamos fechando os órgãos públicos para diminuir a circulação de pessoas", afirmou o Secretário de Saúde, Celso Acosta Caetano.

Apesar dos 273 casos até aqui, o Chuí mantém zerado o número de óbitos por Covid-19. Segundo a Secretária de Saúde Juliana Soares Rosário, as medidas restritivas adotadas desde os primeiros casos - como obrigatoriedade do uso da máscara, multas para os infratores e a desinfecção de locais com grande circulação de pessoas - são os grandes responsáveis pelo índice.

"Acredito que esse impacto seja pelas ações que o município vem fazendo, onde uma delas é o uso obrigatório de máscara. Desde março do ano passado o Chuí tem lei, onde as pessoas tem que fazer o uso obrigatório de máscara e manter o distanciamento em locais públicos. E o descumprimento gera multa de R$ 200,00 para a pessoa e de R$ 5.000,00 para estabelecimentos comerciais por permitir pessoas sem máscara no local. Então a gente tem uma fiscalização bem forte nesse sentido e também no comércio. A gente sabe que o Chuí é uma cidade comercial então os comerciantes precisam, semanalmente, preencher alguns documentos para monitorar os funcionários. Existe um rastreio e monitoramento grande de qualquer síndrome gripal, então eu acredito que um dos impactos é esse. Temos que ter ações bem fortes porque o Chuí não tem hospital, o nosso hospital de referência é em Santa Vitória do Palmar, que fica a 20 quilômetros", disse a secretária.

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